quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Hoje vamos ler uma poesia de Cecília Meirelles. Você já participou de um leilão assim?

Leilão de jardim


(Cecília Meirelles)


Quem me compra um jardim
com flores?

borboletas de muitas
cores,

lavadeiras e pas-
sarinhos,

ovos verdes e azuis
nos ninhos?

Quem me compra este ca-
racol?

Quem me compra um raio
de sol?

Um lagarto entre o muro
e a hera,

uma estátua da Pri-
mavera?

Quem me compra este for-
migueiro?

E este sapo, que é jar-
dineiro?

E a cigarra e a sua
canção?

E o grilinho dentro
do chão?

(Este é meu leilão!)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Poesias no blog

As férias estão chegando ao fim e nós já voltamos pra preparar a escola para receber os alunos: os novos que vão entrar e os que vão retornar cheinhos de novidades!!
No mês de janeiro, tivemos a oportunidade de ler 4 belas histórias aqui no nosso blog. Agora no mês de fevereiro vamos poder ler algumas poesias que escolhemos pra vocês. Não deixem de conferir! Toda 5a. feira de fevereiro uma nova poesia. Até a volta!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Quem é o rei?


Esta é a história de um camponês

que de tão pobre

estava só pele e osso

um dia, sentado à porta de sua

velha cabana, viu chegar um caçador

montado num cavalo.

O caçador parou,

Apeou do cavalo,

Cumprimentou-o e disse:

— Perdi-me na floresta

e estou procurando o caminho

que leva à cidade de Gondar.

— Gondar fica a dois dias de viagem —

respondeu o camponês. -— O sol já se pôs, seria

mais prudente passar a noite aqui

e prosseguir amanhã de manhã.


O camponês tinha uma galinha tão

magricela quanto ele. Matou-a e a cozinhou

para oferecer um bom jantar ao caçador.

Ofereceu-lhe ainda sua cama.


De manhãzinha, quando o homem despertou, o

camponês explicou a ele como chegar a Gondar:

Você deve contornar a floresta,

evitar as pedreiras,

afastar-se dos precipícios,

não se perder, seguir a estrada,

tomar um atalho...


O caçador ficou preocupado:


— Pressinto que vou

me perder novamente.

Não conheço a região. Você não poderia me

acompanhar até Gondar?

É só montar na garupa.


— Está bem — disse o camponês —,

mas sob uma condição:

quando lá chegarmos, você poderia

me apresentar ao rei,

que eu nunca vi em toda minha vida?


— Você o verá,

prometo a você.


Nosso homem fechou a porta da casa,

montou na garupa e lá se foram pela estrada.

viajaram muito, por muito tempo.

Quando avistaram Gondar,

o camponês perguntou ao caçador:


— Como se faz para

reconhecer o rei?

— Não se preocupe. Lembre-se

apenas disto: enquanto todos fazem a mesma coisa

ao mesmo tempo, o rei é o único diferente.

Observe bem as pessoas ao redor

e assim o reconhecerá.


Uma hora mais tarde, os dois homens

chegaram às imediações do palácio.

Uma multidão se apinhava

diante dos portões.

Todos falavam e comentavam

as notícias do reino.

Quando viram os dois homens a cavalo,

afastaram-se do portão.

e se ajoelharam.

O camponês não entendeu nada.

Todos se ajoelharam, menos ele e o caçador, que

estavam a cavalo.


— Onde pode estar o rei? — perguntou o

Camponês. — Não o vejo.


— Vamos entrar no palácio e

lá você o verá — assegurou o caçador.


E os dois homens entraram

a cavalo no palácio.


O camponês estava preocupado.

Ao longe, viu uma fileira de guardas montados,

que os esperavam na entrada.

Os guardas desceram dos cavalos.

Ficaram todos a pé. Apenas ele

e o caçador continuaram a cavalo.


O camponês irritou-se:

— Você me disse: quando todo mundo

fizer a mesma coisa...

Onde está o rei?

— Paciência.

Você vai reconhecê-lo,

lembre-se apenas disto:

enquanto todos fizerem a mesma coisa

ao mesmo tempo, o rei fará diferente.


O camponês ficou mais perplexo do que nunca.

— Quem pode ser o rei?

Ainda não consigo vê-lo.


Os dois homens apearam também.

Entraram numa sala imensa do palácio.

Todos os nobres, cortesãos e conselheiros

tiraram o chapéu

quando os viram. Ficaram todos

de cabeça descoberta, exceto o caçador

e o camponês, que não sabia por que usavam chapéu

ali dentro do palácio.


O camponês se aproximou do caçador

e murmurou:

— Não estou vendo o rei.

— Não seja impaciente.

Quando todo mundo faz

a mesma coisa ao mesmo tempo,

o rei é diferente.

Logo você acabará por

reconhecê-lo.

Venha se sentar.


Os dois homens se instalaram

num sofá confortável.

Todos ficaram de pé

em volta deles.

O camponês não parava quieto.

Olhou ao redor, aproximou-se

do caçador e perguntou:

— Quem é o rei?

É você ou

sou eu?


O caçador soltou uma gargalhada e disse:

— Você tem razão,

eu sou o rei.

Mas você também

é um rei,

Pois soube acolher um estranho.


Como esta história,

A amizade deles durou muito tempo,

Uma amizade real.

E eis aqui o final.

Tchau!


(extraído de O príncipe corajoso e outras histórias da Etiópia, Praline Gay-Para, São Paulo, Comboio de corda, 2007.)

Gondar: antiga capital do império da Etiópia, situada a nordeste do lago Tana. Foi ocupada pelos italianos entre meados de 1930 até 1941, ano em que os britânicos a bombardearam. A cidade abriga ruínas do período imperial, bem como vestígios de arquitetura fascista.
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O rei que não sabia ser feliz


Era um rei que não sabia ser feliz. Tinha os tesouros mais preciosos, as terras mais férteis e os exércitos mais poderosos. Morava num castelo prateado construído no alto de uma montanha. Mesmo assim, vivia triste, sombrio e amargurado.
Um belo dia, o tal monarca ouviu falar de um ferreiro muito pobre que morava num castelo com a mulher e um casal de filhos. O povo dizia que o sujeito, mesmo miserável e sem ter onde cair morto, vivia sempre risonho e animado. Anunciava e garantia para quem quisesse ouvir que era muito feliz. O rei não quis acreditar.
- Se eu que sou nobre, rico e poderoso vivo aflito, preocupado e cheio de problemas, como é que pode um zé-ninguém, um pé-rapado, um pobre coitado achar que pode ser feliz?
No fundo, o monarca sentiu uma mistura de raiva com dúvida e inveja. E logo teve uma idéia. Montou seu cavalo alazão, foi até a casa do ferreiro,mandou chamar o homem e disse:
- É verdade que você é feliz?
- Sim! – respondeu o ferreiro com os olhos cheios de luz.
- Ah é? – respondeu o rei. – Então, quero ver se você adivinha:
É, o que é:
tem no começo da rua
vive na ponta do ar
dobra no meio da terra
morre onde acaba o mar?

O rei explicou que voltaria no dia seguinte. Se o ferreiro não adivinhasse ia para a forca.
- E se eu adivinhar? – perguntou o ferreiro, assustado.
- Se adivinhar, fica tudo por isso mesmo!
Disse isso, deu risada, chicoteou o cavalo e partiu a galope.
Naquela noite, a filha do ferreiro sentiu que o pai estava muito preocupado. Conversa vai, conversa vem, o homem acabou desabafando e contando o que havia acontecido. Confessou que não sabia adivinhar. Achava que no dia seguinte ia morrer na forca. A filha do ferreiro deu risada.
- Mas é tão simples! Aquilo que tem no começo da rua, vive na ponta do ar, dobra no meio da terra e morre onde acaba o mar é a letra R!
No dia seguinte, o ferreiro respondeu a adivinha e deixou o rei admirado.
- Mas como você adivinhou?
- Não fui eu – respondeu o homem sorrindo. – Foi minha filha!
O rei não se conformou:
- Ah é? Então mata esta:

O que é, o que é:
agarra, coça e atira
escreve, pinta e inventa
aperta, aponta e dá soco
faz carinho e cumprimenta?

E repetiu o que havia dito da outra vez. Se o ferreiro adivinhasse, ficava tudo por isso mesmo. Se não adivinhasse, forca.
Naquela noite, a filha sentiu que o pai estava, de novo, muito aflito. Conversa vem, conversa vai, o homem acabou contando o que havia acontecido. Disse que não sabia adivinhar. Chorou. Achava que dessa vez ia mesmo morrer na forca. A filha do ferreiro deu risada.
- Mas é tão simples! Aquilo que agarra, coça e atira, escreve, pinta, inventa, aperta, aponta, dá soco, faz carinho e cumprimenta e a mão!
No dia seguinte, o ferreiro respondeu a adivinha e deixou o monarca com a cara no chão.,
- Mas como você adivinhou?
- Não fui eu – respondeu sorrindo. – Foi minha filha!
O rei foi embora pensando:
- Como será a filha do ferreiro?
Chegou no castelo e logo fez um plano. Mandou um criado à casa do ferreiro com um monte de perguntas. Queria dados, detalhes e informações a respeito da moça.
O criado foi. Bateu na porta. Quem atendeu foi a própria filha do ferreiro.
O criado perguntou:
- Cadê sua mãe?
E a moça:
- Foi ver quem nunca foi visto.
E o criado:
- Cadê seu pai?
E a moça:
- Foi mijar pra trás.
E o criado:
- Cadê seu irmão?
E a moça:
- Foi tomar água que passarinho não bebe.
O criado do rei não entendeu nada, despediu-se e foi embora. Quando contou as respostas da filha do ferreiro, o rei ficou admirado:
- Mas é claro como um copo d’água! Se a mãe dela foi ver que nunca foi visto é porque deve ser parteira e foi ajudar uma criança a nascer. Se o pia foi mijar pra trás é porque deve ter desistido de algum negócio.
Se o irmão foi tomar água que passarinho não bebe é porque deve estar bebendo cachaça com os amigos.
O rei era solteiro. Encantado com as respostas da moça, sentiu vontade de conhecê-la melhor. Deu ordens para irem buscá-la imediatamente.
Dito e feito.
Quando a filha do ferreiro em carne e osso, o tal monarca ficou mais encantado ainda. È que a moça era uma fruta preciosa de tão bonita e cheirosa.
O rei, então, pegou-a pelo braço e saiu mostrando os ares, belezas e lugares do castelo. Mas tarde, o casal sentou-se no jardim para trocar idéias e se conhecer melhor. Conversa vem conversa vai, o rei ficou apaixonado de vez. No fim daquele mesmo dia, pediu a mão da moça em casamento.
A filha do ferreiro aceitou e o jovem monarca foi logo mandando preparar a festa, avisar o padre e escrever os convites. Depois, chamou a moça e avisou:
- Decidi me casar com você amanhã mesmo! Como vai ser minha mulher, quero que você hoje volte para casa levando de presente a coisa mais valiosa que encontrar no castelo. Pode pegar o que quiser: pedras preciosas, anéis e colores de diamantes ou arcas cheias de moedas de ouro. De agora em diante, tudo o que é meu é seu!
A moça sorriu agradecida.
- Prometo escolher uma coisa bem valiosa – disse ela -, mas antes queria tomar um pouco de vinho tinto.
Explicou que era para brindar o casamento mas, quando o rei se distraiu, colocou sete gotas de remédio no cálice. Bastou um gole para o monarca ficar zonzo, meio grogue, fechar os olhos e cair desmaiado com um sorriso parado no rosto.
Mais que depressa, a filha do ferreiro chamou os criados, mandou colocar o noivo numa carruagem, disse adeus e levou-o embora .
No dia seguinte, quando o rei acordou, não entendeu nada vezes nada.
- Quem sou eu? Onde estou? O que houve? Como assim? – gritava ele entre zangado e assustado. E depois; - Socorro! Me acudam! Fui seqüestrado!
Gritou e esperneou mas, olhando melhor, reconheceu o lugar e descobriu que tinha passado a noite na casa do ferreiro.
Foi quando a moça entrou no quarto e explicou tudo;
- Você não disse que eu poderia trazer a coisa mais valiosa do castelo?
O monarca fez sim com a cabeça. E a filha do ferreiro;
- Pois bem. Pra mim, a coisa mais valiosa do castelo é você mesmo!
A ouvir aquelas palavras, o rei até inchou de tanta vaidade. Mas a alegria durou pouco. Fazendo cara feia, a moça continuou;
- Só caso com você se pedir desculpas a meu pai. Onde já se viu ameaçar de levar alguém pra forca só por causa de um capricho? Não quero saber de marido egoísta e invejoso que só sabe pensar em si mesmo e não liga pra mais ninguém! Quero me casar com um rei que tente melhorar, e não piorar, a vida de seu povo!
Pego de surpresa, o monarca deu o braço a torcer, vestiu a carapuça e reconheceu que tinha errado feio. Chamou o pai da noiva, ajoelhou-se arrependido e pediu perdão.
Dizem que o casamento do rei com a filha do ferreiro foi uma festança cheia de dança, comilança e esperança. Dizem também que só então aquele homem soube o que era ser feliz.

(extraído de Contos de Adivinhação, Ricardo Azevedo, Ed. Ática,2008)































terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Alecrina

Era uma vez um rei e uma rainha que não tinham filhos. Passeando na horta, a rainha viu um pé de alecrim rodeado de mudinhas. E disse:
- Dê uma olhada: aquele ali é apenas um pé de alecrim e tem tantos filhos, e eu que sou rainha não tenho nem mesmo um!
Passado algum tempo, a rainha também se tornou mãe. Mas não teve um filho, e sim um pé de alecrim. Colocou-o num bonito vaso e o regava com leite.
Um sobrinho, que era rei da Espanha, veio visitá-lo e perguntou:
- Majestade tia, que planta é esta?
A tia lhe respondeu:
- Majestade sobrinho, é minha filha, e a rego com leite quatro vezes por dia.
O sobrinho gostou tanto da planta que pensou em raptá-la. Pegou-a com vaso e tudo, e a levou para a sua embarcação, comprou uma cabra leiteira e mandou levantar âncora. Navegando, ordenhava a cabra e dava leite ao pé de alecrim quatro vezes por dia. Assim que desembarcou em sua cidade, mandou plantá-lo no seu jardim.
Esse jovem rei da Espanha tinha uma grande paixão por flauta e, todos os dias, andava pelo jardim tocando flauta e dançando. Tocava flauta e dançava, quando , do meio da folhagem do alecrim, apareceu uma linda mocinha de cabelos compridos que se pôs a dançar ao lado dele.
- De onde vem? – perguntou-lhe ele.
- Do alecrim – respondeu ela.
E, terminada a dança, retornou à folhagem do alecrim e não se deixou mais ver. Daquele dia em diante, o rei despachava às presas os negócios do Estado e ia para o jardim com a flauta, tocava e a linda mocinha saía do meio das folhas, e juntos dançavam e conversavam de mãos dadas.
No melhor do namoro, o rei recebeu uma declaração de guerra e teve de partir. Disse à mocinha:
- Minha Alecrina, não sai da sua planta enquanto eu não voltar. Quando voltar, tocarei três notas na flauta e então você sairá.
Chamou o jardineiro e lhe disse que o pé de alecrim precisava ser regado com leite quatro vezes por dia; e, se na volta o encontrasse murcho, mandaria decapitá-lo. E partiu.
É preciso saber que o rei tinha três irmãs, moças curiosas que havia um bom tempo se perguntavam o que andaria fazendo o irmão horas seguidas no jardim com a flauta. Assim que ele partiu para a guerra, foram vasculhar seu quarto e encontraram a flauta. Pegaram-na e foram até o jardim. A mais velha tentou tocá-la e saiu uma nota, a segunda a tirou da mão dela, soprou e emitiu outra nota, e a caçula, por sua vez, tocou uma nota ela também. Ouvindo as três notas e pensando que o rei tivesse regressado, Alecrim pulou para fora das folhas. As irmãs:
- Ah! Agora entendemos por que nosso irmão não saía mais do jardim! – E, malvadas como eram, agarraram a mocinha e bateram nela quanto puderam. Aquela infeliz, mais morta que viva, correu para seu alecrim e desapareceu.
Quando o jardineiro veio, encontrou a planta meio murcha, com as folhas amareladas e pendentes.
- Ai, pobre de mim! O que vou fazer quando o rei vier!
Correu até sua casa e disse à mulher:
- Adeus, tem que fugir, você passa a regar o alecrim com leite. – E fugiu.
O jardineiro caminhou pelo campo a mais não poder. Quando anoiteceu, estava num bosque. Com medo dos bichos, trepou numa árvore. À meia-noite, sob aquela árvore, haviam marcado encontro uma Mamãe-Dragona e um Mamo-Dragão. E o jardineiro, escondido em cima da árvore, arrepiava-se ouvindo-os bufar.
- Quais são as novidades? – perguntou Mamãe-Dragona ao Mamo-Dragão.
- E quais queria que fossem?
- Você nunca me conta nada de novo!
- Ah, sim, o pé de alecrim do rei murchou.
- E como isso aconteceu?
- Aconteceu assim: agora que o rei está na guerra, as irmãs começaram a tocar a flauta e, do alecrim saiu a moça encantada, e as irmãs a deixaram mais morta que viva de tantas pancadas. Assim, a planta está murchando.
- E não há meio de salvá-la?
- Até que haveria...
- E por que não me conta?
- Bem, não é coisa que se diga: as árvores têm olhos e ouvidos.
- Deixe disso; quem é que nos ouviria no meio do bosque?
- Então vou lhe contar este segredo: seria preciso pegar o sangue da minha garganta e a gordura do seu cangote, fervê-los juntos numa panela,e untar todo o pé de alecrim. A planta vai secar completamente, mas a moça sairá dela sã e salva.
O jardineiro ouvira toda a conversa com o coração nas mãos. Assim que Mamo-Dragão e a Mamãe-Dragona adormeceram e ele ou ouviu roncar, arrancou um galho nodoso, pulou no chão e com dois golpes certeiros os mandou para o outro mundo. Depois, retirou o sangue da garganta do Mamo-Dragão, a gordura do cangote da Mamãe-Dragona e correu para casa.Acordou a mulher e:
- Rápido, ferve estas coisas!- E untou o alecrim raminho por raminho. A moça saiu e o alecrim secou. O jardineiro pegou a moça pela mão e a levou para sua casa, colocou-a na cama e lhe deu um bom caldo de sopa.
O rei volta da guerra e, antes de mais nada, vai até o jardim com a flauta. Toca três notas, toca três , e haja fôlego para assoviar! Aproxima-se do alecrim e o encontra sequinho seu uma única folha.
Furioso como uma fera, correu à casa do jardineiro.
- Hoje mesmo será decapitado, desgraçado!
- Majestade, acalme-se, entre um instante em minha casa e lhe mostro uma coisa maravilhosa!
- Coisa maravilhosa um corno! Você será decapitado!
- Primeiro entre, depois faça o que quiser comigo!
O rei entrou e encontrou Alecrina deitada, pois ainda estava em convalescença. Ela ergueu a cabeça e lhe disse, como lágrimas nos olhos:
Suas irmãs me espancaram, e o pobre Jardineiro salvou minha vida!
O rei estava transbordado de felicidade por ter reencontrado Alecrina, com ódio das irmãs, muito agradecido ao jardineiro. Tão logo a moça se restabeleceu, quis casar com ele, e escreveu ao rei seu tio que o alecrim que ele roubara havia se transformado numa lindíssima jovem e o convidava, e também à rainha, para o dia do casamento. O rei e a rainha, que estavam desesperados por não saber nada da planta, quando o embaixador levou aquela carta para eles e souberam que a planta era na realidade uma linda moça, filha deles, ficaram como loucos de alegria. Partiram imediatamente e, bum! bum!, dispararam muitas salvas de canhão ao chegar ao ponto, e Alecrina já estava lá esperando pelos pais. Celebrou-se o casamento e foi feito um banquete com uma mesa do tamanho da Espanha.

(extraído de Fábulas Italianas, Ítalo Calvino, Cia de Bolso,2006)