segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Obras na Sala de Leitura

Pessoal,
Nossa Sala de Leitura vai entrar em obras. Então, provavelmente, só abriremos para empréstimos no mês de março.
E até lá aproveitem para saber das novidades e das atividades desenvolvidas acessando o nosso blog. Vamos divulgar aqui a data de reabertura da Casa das Histórias.
Vamos continuar postando poesias todas as 5as. feiras. Não deixem de ler!!! Não esqueçam de postar seus comentários e sugestões.
Aproveitem o carnaval para brincar, ler e se divertir.
A folia vai começar já nessa 5a. feira com o nosso Baile de Carnaval, de 10 às 12h.
Em março vamos retomar as nossas atividades com muitas coisas novas e interessantes pra você!!!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Pra essa semana escolhemos uma poesia de Maria Mazzetti que foi até musicada. Veja se você conhece...


Aconteceu, minha gente, um dia bem diferente!

(Maria Mazzetti)



Aconteceu, minha
gente,
um dia bem diferente!


Um peixe nadou no céu.
A lua caiu no rio.

A água se encolheu toda.

Estava com muito frio.


Boizinho nasceu na árvore.
Na chaminé
uma flor.
O fogo to
mou um banho.
Sen
tia muito calor...

Você precisava ver
esse dia
diferente:
um biscoito
virou bicho
trenzinho virou gente!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Hoje vamos ler uma poesia de Cecília Meirelles. Você já participou de um leilão assim?

Leilão de jardim


(Cecília Meirelles)


Quem me compra um jardim
com flores?

borboletas de muitas
cores,

lavadeiras e pas-
sarinhos,

ovos verdes e azuis
nos ninhos?

Quem me compra este ca-
racol?

Quem me compra um raio
de sol?

Um lagarto entre o muro
e a hera,

uma estátua da Pri-
mavera?

Quem me compra este for-
migueiro?

E este sapo, que é jar-
dineiro?

E a cigarra e a sua
canção?

E o grilinho dentro
do chão?

(Este é meu leilão!)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Poesias no blog

As férias estão chegando ao fim e nós já voltamos pra preparar a escola para receber os alunos: os novos que vão entrar e os que vão retornar cheinhos de novidades!!
No mês de janeiro, tivemos a oportunidade de ler 4 belas histórias aqui no nosso blog. Agora no mês de fevereiro vamos poder ler algumas poesias que escolhemos pra vocês. Não deixem de conferir! Toda 5a. feira de fevereiro uma nova poesia. Até a volta!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Quem é o rei?


Esta é a história de um camponês

que de tão pobre

estava só pele e osso

um dia, sentado à porta de sua

velha cabana, viu chegar um caçador

montado num cavalo.

O caçador parou,

Apeou do cavalo,

Cumprimentou-o e disse:

— Perdi-me na floresta

e estou procurando o caminho

que leva à cidade de Gondar.

— Gondar fica a dois dias de viagem —

respondeu o camponês. -— O sol já se pôs, seria

mais prudente passar a noite aqui

e prosseguir amanhã de manhã.


O camponês tinha uma galinha tão

magricela quanto ele. Matou-a e a cozinhou

para oferecer um bom jantar ao caçador.

Ofereceu-lhe ainda sua cama.


De manhãzinha, quando o homem despertou, o

camponês explicou a ele como chegar a Gondar:

Você deve contornar a floresta,

evitar as pedreiras,

afastar-se dos precipícios,

não se perder, seguir a estrada,

tomar um atalho...


O caçador ficou preocupado:


— Pressinto que vou

me perder novamente.

Não conheço a região. Você não poderia me

acompanhar até Gondar?

É só montar na garupa.


— Está bem — disse o camponês —,

mas sob uma condição:

quando lá chegarmos, você poderia

me apresentar ao rei,

que eu nunca vi em toda minha vida?


— Você o verá,

prometo a você.


Nosso homem fechou a porta da casa,

montou na garupa e lá se foram pela estrada.

viajaram muito, por muito tempo.

Quando avistaram Gondar,

o camponês perguntou ao caçador:


— Como se faz para

reconhecer o rei?

— Não se preocupe. Lembre-se

apenas disto: enquanto todos fazem a mesma coisa

ao mesmo tempo, o rei é o único diferente.

Observe bem as pessoas ao redor

e assim o reconhecerá.


Uma hora mais tarde, os dois homens

chegaram às imediações do palácio.

Uma multidão se apinhava

diante dos portões.

Todos falavam e comentavam

as notícias do reino.

Quando viram os dois homens a cavalo,

afastaram-se do portão.

e se ajoelharam.

O camponês não entendeu nada.

Todos se ajoelharam, menos ele e o caçador, que

estavam a cavalo.


— Onde pode estar o rei? — perguntou o

Camponês. — Não o vejo.


— Vamos entrar no palácio e

lá você o verá — assegurou o caçador.


E os dois homens entraram

a cavalo no palácio.


O camponês estava preocupado.

Ao longe, viu uma fileira de guardas montados,

que os esperavam na entrada.

Os guardas desceram dos cavalos.

Ficaram todos a pé. Apenas ele

e o caçador continuaram a cavalo.


O camponês irritou-se:

— Você me disse: quando todo mundo

fizer a mesma coisa...

Onde está o rei?

— Paciência.

Você vai reconhecê-lo,

lembre-se apenas disto:

enquanto todos fizerem a mesma coisa

ao mesmo tempo, o rei fará diferente.


O camponês ficou mais perplexo do que nunca.

— Quem pode ser o rei?

Ainda não consigo vê-lo.


Os dois homens apearam também.

Entraram numa sala imensa do palácio.

Todos os nobres, cortesãos e conselheiros

tiraram o chapéu

quando os viram. Ficaram todos

de cabeça descoberta, exceto o caçador

e o camponês, que não sabia por que usavam chapéu

ali dentro do palácio.


O camponês se aproximou do caçador

e murmurou:

— Não estou vendo o rei.

— Não seja impaciente.

Quando todo mundo faz

a mesma coisa ao mesmo tempo,

o rei é diferente.

Logo você acabará por

reconhecê-lo.

Venha se sentar.


Os dois homens se instalaram

num sofá confortável.

Todos ficaram de pé

em volta deles.

O camponês não parava quieto.

Olhou ao redor, aproximou-se

do caçador e perguntou:

— Quem é o rei?

É você ou

sou eu?


O caçador soltou uma gargalhada e disse:

— Você tem razão,

eu sou o rei.

Mas você também

é um rei,

Pois soube acolher um estranho.


Como esta história,

A amizade deles durou muito tempo,

Uma amizade real.

E eis aqui o final.

Tchau!


(extraído de O príncipe corajoso e outras histórias da Etiópia, Praline Gay-Para, São Paulo, Comboio de corda, 2007.)

Gondar: antiga capital do império da Etiópia, situada a nordeste do lago Tana. Foi ocupada pelos italianos entre meados de 1930 até 1941, ano em que os britânicos a bombardearam. A cidade abriga ruínas do período imperial, bem como vestígios de arquitetura fascista.
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