quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
VOLTA ÀS AULAS!!!!!
Teremos um ano cheio de coisas novas para aprender e atividades legais.
Em breve, a Sala de Leitura estará aberta para empréstimos. Aguarde!
Enquanto isso, acesse o nosso blog.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Mais uma história...
Você conhece essa?
A gansa que punha ovos de ouro
Um homem possuía uma gansa que, toda manhã, punha um ovo de outro. Vendendo estes ovos preciosos ele estava acumulando uma grande fortuna. Quanto mais rico ficava porém, mais avarento1 se tornava. Começou a achar que um ovo só, por dia, era pouco.
"Por que não põe dois ovos, quatro ou cinco?" - pensava ele. "Provavelmente, se eu abrir a barriga desta ave, encontrarei uma centena de ovos e viverei como um nababo2".
Assim pensando, matou a gansa, abriu-lhe a barriga e, naturalmente, nada encontrou.
Quem tudo quer, tudo perde.
(Fábula de Esopo, extraída de O Mundo da Criança, volume 3)
1Aquele que alimenta a paixão de juntar dinheiro. Sovina, pão-duro.
2Homem rico que faz alarde de sua riqueza.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Mais história...
O leão e o rato
Uma vez, quando o leão estava dormindo, um ratinho pôs-se a passear em suas costas. Isto logo acordou o leão, que segurou o bichinho com sua enorme pata e abriu a grande mandíbula para engoli-lo.
- Perdão, rei dos animais, gritou o ratinho, Deixe-me ir, não o importunarei mais. Quem sabe se um dia não conseguirei pagar-lhe este favor?
O leão riu-se muito ao pensar na possibilidade de o ratinho ajudá-lo em alguma coisa. Afinal, soltou-o.
Algum tempo depois, o leão caiu numa armadilha. Os caçadores, que desejavam levá-lo vivo ao rei, amarram-no numa árvore, enquanto iam providenciar um vagão para transportá-lo. Nesse momento, apareceu o ratinho. Vendo o apuro em que se encontrava o leão, num instante roeu as cordas que o prendiam à árvore.
- Eu não disse que talvez um dia pudesse ajudá-lo? lembrou o rato.
(Fábula de Esopo, extraída de "O mundo da Criança", volume 3)
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
E ainda mais uma...
E essa é uma lenda indígena. Esperamos que vocês gostem...
Semana que vem tem mais!! Acesse o nosso blog e diga o que você achou da história.
O Sol e a Lua
(lenda indígena)
O Sol tinha acabado de passar um pouco de curare 1 em suas flechas e guardava a zarabatana2 bem à mão, pronto para atirar. Não desgrudava os olhos dos galhos das árvores, prestando atenção ao menor movimento das folhas. De repente, ouviu uma gargalhada que o fez voltar-se. Sem perceber, acabara de passar por um garoto que estava sentado ao pé de uma árvore com dois magníficos papagaios.
O Sol se deteve e resolveu descansar um pouco junto deles. Nem viu o tempo passar e, quando se deu conta, o dia já estava acabando. Não conseguia sair de perto dos dois papagaios que tanto o divertiam. Assim propôs ao menino levar os dois papagaios em troca de seu cocar de plumas. O garoto estava muito preocupado com sua aparência, pois acabara de completar dez anos. Agora já poderia pintar o corpo com urucum e jenipapo. Seus cabelos acabavam de ser cortados e, quando crescessem de novo, ele teria o direito de prendê-los ou fazer tranças. Seria um rapazinho... Já tinha as maçãs do rosto pintadas. Imaginava-se entrando na aldeia com aquele cocar de plumas. Aceitou com alegria o oferecimento do Sol e lá se foi, dançando em direção à aldeia.
O Sol também estava com pressa, louco para mostrar ao seu amigo Lua3 os dois papagaios. O amigo ficou maravilhado com a beleza da plumagem dos pássaros e se divertiu muito com as palavras engraçadas que eles diziam. Assim, resolveu adotar um deles. Escolheu o verde de cabeça amarela e o deixou em sua oca, empoleirado num pedaço de pau que enfiou no chão. O sol também fez um poleiro para seu papagaio e o alimentou com grãos e sementes de todo tipo.
Na manhã seguinte, os amigos Lua e Sol foram pescar. Levaram arco e flecha e também arpões, para o caso de encontrarem o pirarucu, que era seu peixe favorito, mas dificílimo de pegar. Ao anoitecer, voltando para casa, estavam muito cansados e não tiveram forças para preparar os peixes que haviam pescado. Deitaram-se nas esteiras e logo dormiram. Os papagaios pareciam tristes por vê-los assim, e naquela noite ficaram em silêncio.
Nos dias que se seguiram, o Sol e seu companheiro Lua não conseguiam entender por que os papagaios estavam tão tristes. Quando os pegavam nas mãos para que se empoleirassem nos dedos, tentando ensiná-los a falar, os pássaros pareciam não mais se divertir.
Mas um dia, ao voltarem da caça, tiveram um dupla surpresa. Primeiro,os papagaios foram ao encontro deles, falando como nunca. Saltitavam de um ombro para outro, como se quisessem cantar e dançar. Dentro da oca, uma surpresa ainda maior os aguardava: junto ao fogo havia duas grandes vasilhas com cassaripe4 fumegante! Quem teria preparado a comida? Eles se sentaram, comeram todo o delicioso pirão e se deitaram. Mas não conseguiam dormir. Que mistério! Os papagaios os olhavam com um ar divertido. Se pudessem falar, será que poderiam contar o que havia acontecido?
No dia seguinte, quando foram caçar, os dois tinham a cabeça cheia de perguntas sem respostas. Enquanto isso, na oca, acontecia uma cena estranha.
Os dois papagaios se transformavam pouco a pouco em duas moças encantadoras, de cabelos longos, pretos e brilhantes como a noite sob a chuva. Quando a metamorfose5 se completou, uma delas se escondeu perto da porta para ver quando os dois amigos voltavam, enquanto a outra preparava a refeição.
- Depressa, não temos muito tempo! Hoje eles disseram que chegariam mais cedo. Temos de acabar antes que voltem. Quando chegam da caça, eles vêm tão cansados!
E que surpresa tiveram os dois mais uma vez! Resolveram que no dia seguinte voltariam mais cedo e entrariam escondido pelos fundos. Dito e feito: deslumbrados com a beleza das duas moças apaixonaram-se por elas e suplicaram que nunca mais se transformassem em papagaios de novo. Fizeram um grande festa para celebrar os casamentos. Mas a casa havia ficado pequena demais para quatro pessoas, e por isso decidiram se revezar para ocupá-la. O Sol e sua mulher escolheram o dia. Lua aceitou a noite. É por isso que nunca vemos o Sol e a Lua ao mesmo tempo no céu.
1Veneno muito forte preparado pelos índios sul-americanos, para envenenar flechas.
2Canudo comprido pelo qual se arremessam, com sopro, setas, bolinhas e outros projéteis.
3Na mitologia dos índios da Amazônia, a lua é frequentemente representada na forma de um rapaz.
4Alimento que se obtém deixando cozinhar e engrossar a água onde se lava a mandioca, temperada com pimenta, e na qual se opõe para cozinhar todo tipo de carne em pedaços, peixes, frutinhas, raízes, insetos e larvas.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
E lá vem mais uma...
Gostou das duas primeiras? Então, faça seu comentário e recomende o nosso blog para os seus amigos. Hoje, temos mais uma. Aproveite!!!
Esta é uma história popular da Holanda, cujo personagem principal é um espertalhão parecido com o nosso Pedro Malasarte.
Ao final, você pode encontrar o significado de algumas palavras ou expressões, tá?
Aí vai...
Tyl Uilenspiegel
Um dia, Til Uilenspiegel 1 chegou a uma cidade que era sede de uma universidade famosa. Tinha muita fome e era bastante preguiçoso. Portanto, pôs a inteligência a funcionar a fim de conseguir alimento e moradia, sem trabalhar para obtê-los.
Fez com que um dos arautos2 da cidade gritasse na praça do mercado que ele, Tyl Uilenspiegel, poderia ensinar um burro a ler e a falar em dois anos, se alguém lhe desse um burro e o alimentasse e abrigasse, bem como a ele próprio durante esses dois anos.
Ora, o reitor da universidade, que tinha ouvido falar de Tyl antes daquilo, e sabia ser ele um sujeito muito esperto, resolveu dar-lhe uma oportunidade de provar que era esperto até aquele ponto. Mandou chamá-lo, disse-lhe que escolhesse ele próprio um burro, e concordou em alimentá-lo e alojá-lo, bem como ao animal, durante os dois anos.
Tyl escolheu o burro mais velho que pode encontrar e colocou-o num estábulo próximo. No dia seguinte comprou uma gramática de tamanho bem grande e colocou alguns grãos de aveia entre as folhas, deixando o livro aberto na primeira página, perto do burro. O animal engoliu depressa a aveia e, sentindo, pelo faro, que havia mais, empurrou com o focinho a página seguinte, e a seguinte, e a seguinte, até ter lambido página por página, sem deixar um só grão. Todos os dias Tyl colocava a gramática com a aveia diante do burro, até que o animal aprendesse a virar as páginas com o focinho, muito habilmente.
Quando o reitor da universidade perguntou, algum tempo depois, como ia o burro com seus estudos, Tyl levou-o ao estábulo, onde colocou a gramática diante do animal. O burro começou, imediatamente, a virar as folhas, à procura da aveia.
- Como o senhor vê – disse Tyl – ele está lendo o livro, embora ainda não possa falar, a não ser as letras “a” e “e”.
Nesse momento, o burro, desapontado por não encontrar o seu alimento habitual, zurrou, melancolicamente: “EEEEEEAAAAAAA!”
O reitor deixou o estábulo quase convencido de que Tyl realmente estava ensinando o burro a falar.
Alguns dias depois o burro morreu de tão velho, o que, naturalmente, libertou Tyl do compromisso assumido.
Mudou-se ele, então, para outra cidade, mas, infelizmente, as coisas ali não lhe correram tão bem. O preguiçoso espertalhão de há muito não trabalhava, e suas roupas estavam tão desfiadas quanto o estômago estava desguarnecido. Assim, num dia de ventania, empregou-se como auxiliar de um padeiro. Pensava que trabalhando numa padaria pelo menos estaria aquecido, confortável, e teria bastante que comer.
Durante algum tempo seu patrão mostrou-se satisfeito com o trabalho dele, mas Tyl jamais podia conservar-se tranquilo por um prazo muito longo e depressa estava fazendo de novo suas trapaças.
Certa noite, o padeiro disse a Tyl que peneirasse um saco de farinha.
- Precisarei de uma vela para fazer esse trabalho, patrão – disse Tyl.
- Uma vela! - exclamou o padeiro, que era um grande avarento. - Ora, meu rapaz, bem podes peneirar a farinha à luz do luar.
- Está certo, patrão! - respondeu Tyl, com um brilho de malícia3 nos olhos.
Desceu à adega, apanhou o saco de farinha e uma peneira, e levou as duas coisas para o quartinho em que dormia. Abriu de par em par a janela. A lua cheia cintilava, bem brilhante, e a noite estava quase tão clara quanto o dia.
- Peneirar à luz do luar, hein? - murmurou Tyl. - Pois muito bem, seu unha-de-fome de uma figa. Aí vai!
Segurou a peneira do lado de fora da janela e peneirou a farinha, aos punhados, através dela. Estava fazendo exatamente o que lhe haviam ordenado, não estava? Peneirava a farinha à luz do luar...
Quando, na manhã seguinte, o padeiro abriu a janela de seu próprio quarto, pensou, de início, que havia nevado durante a noite. Mas que bom soco deu nos ouvidos de Tyl ao descobrir o que o velhaco fizera àquela boa farinha de trigo, espalhando-a por toda parte!
Depois disso, as coisas correram tranquilamente durante um certo tempo, até que Tyl começou de novo a ficar com vontade de fazer uma das suas.
Um dia, o padeiro lhe disse que ia a uma festa nupcial4. Tyl estivera esperando que o patrão consentisse que ele fosse também, mas o que recebeu foi uma ordem para ficar e tomar conta da padaria.
- A massa está pronta. Só tens de cozê-la – disse o padeiro.
Tyl, que sabia muito bem o que era necessário fazer, isto é, que devia fazer os pães de costume com aquela massa, perguntou, com ar inocente:
- De que jeito devo cozê-la, patrão?
O patrão, que já estava atrasado e impaciente, respondeu, saindo:
- Podes bem fazer gatos e cachorros!
Tyl , querendo uma oportunidade para se vingar do padeiro que o deixava trabalhando enquanto ia se divertir, resolveu seguir ao pé da letra as instruções dele.
Quando o padeiro voltou, encontrou a padaria cheia de gatos e cachorros! Tyl modelara a massa na forma daqueles animais e assim a levara ao forno.
Bem, o padeiro deu-lhe uma boa surra, declarando que ele teria de pagar pela massa perdida.
Ora, Tyl sabia que estavam em véspera de Natal, ou antes, como dizem lá, de São Nicolau. Pagou o valor da massa ao padeiro, colocou seus gatos e cachorros numa grande cesta e foi vendê-los diante da igreja. As pessoas, dispostas para festa, gostaram tanto dos modelos inesperados que num instante Tyl havia vendido tudo quanto trouxera, e com bom lucro.
Desde então, os padeiros de toda a Holanda modelam os pães no feitio de gatos e cachorros para o dia de São Nicolau. São animais feitos de pão de gengibre, que todos comem com café.
(Extraído do livro Lendas do Mundo Inteiro - Coleção Clássicos da Infância - Círculo do Livro)
1A figura de Tyl Uilenspiegel é popular nas lendas e contos holandeses, uma espécie do nosso Pedro Malasarte.
2 Não existindo imprensa nem rádio, os avisos tinham de ser dados ao povo por meio de arautos que levavam escrita a proclamação e liam-na nos cruzamentos das ruas, depois de terem atraído a atenção do povo com toques de clarim ou batidas de tambor. Os arautos também tinham o dever de proclamar a paz ou a guerra, de levar desafios para combates e portar mensagens de um soberano para outro.
3Maldade.
4De casamento.